Esta página resume, sem jargão técnico, aquilo que o EIA concluiu sobre os efeitos da mina nas pessoas que vivem perto e na natureza da zona. Ao contrário de vários outros projetos deste mapa (ainda em fase de Definição de Âmbito, sem EIA), este já tem um EIA completo com medições e modelações reais, o que permite falar com mais confiança do que aconteceria.
Resumo direto
O EIA conclui que a atividade da mina — incluindo esta ampliação — não afeta de forma significativa a qualidade do ambiente nem a saúde e segurança das pessoas que vivem nas povoações vizinhas (a mais próxima fica a 320 m). A razão principal é que a mina está isolada, usa equipamento moderno e pouco ruidoso, e a zona tem um valor ecológico baixo (floresta de pinheiro e eucalipto, pouco diversa). Isto não significa "sem impacto nenhum" — significa que os impactos identificados foram avaliados como localizados e de baixa importância.
Problemas para as pessoas
Ruído. A mina fica perto de várias povoações — Casas de Fonte Cova a 320 m, Paço a 530 m, Santo Aleixo a 580 m, Fonte Cova a 850 m. O EIA fez medições e modelação do ruído junto destas povoações, incluindo o ruído dos camiões na EN-109, e concluiu que os valores estão dentro dos limites legais. A dragagem elétrica, nova nesta ampliação, é apontada como não trazendo ruído adicional relevante.
Poeira e qualidade do ar. A extração e o transporte de areias podem gerar poeira. A mina já rega os caminhos não pavimentados e transporta os camiões com carga tapada por lona para reduzir este efeito; o EIA conclui que não há efeitos importantes na qualidade do ar da envolvente.
Tráfego. Estima-se um tráfego médio de 109 camiões por dia a circular pela EN-109, entre a mina e a A-17. É um fluxo relevante numa estrada nacional que também serve as povoações locais.
Água para consumo e água subterrânea. A mina usa dois furos próprios, sobretudo para repor perdas do processamento (que funciona em circuito fechado e reaproveita a água). A dragagem elétrica avançará até à cota 12 m, mas o EIA indica que não deverá atingir o aquífero confinado mais profundo, nem afetar as captações de água para abastecimento público existentes na zona. Esta é uma conclusão baseada em modelação e monitorização do EIA, não uma garantia absoluta — é por isso que o plano de monitorização inclui o acompanhamento contínuo do nível freático.
Segurança e catástrofes. O EIA avalia riscos como cheias, incêndios ou falhas de taludes. Prevê que, com as medidas de segurança geotécnica descritas (bancadas com inclinação moderada, patamares de segurança entre a zona dragada e a zona de desmonte mecânico), o risco para a segurança das populações locais se mantenha baixo.
Emprego e economia. Este é o lado mais claramente positivo identificado no EIA: a mina mantém e cria postos de trabalho, sustenta fornecedores e serviços locais, e ajuda a fixar população na região — um efeito relevante numa zona rural com tendência de perda demográfica.
Problemas para a biodiversidade e a paisagem
Valor ecológico da zona. O EIA carateriza a área como tendo um valor ecológico baixo: os solos arenosos sustentam sobretudo pinhal e eucaliptal de produção, com um sub-bosque pouco denso e pouco diverso. Isto torna a zona pouco atrativa para a maioria das espécies com estatuto de conservação especial referenciadas para a região — não porque não haja natureza, mas porque já é uma paisagem de monocultura florestal, não um habitat natural preservado.
Linha de água protegida. Atravessa a concessão o ribeiro do Regato. O projeto assegura explicitamente que a exploração não avançará sobre o seu quadrante de drenagem — está identificada no mapa como "área não explorada a preservar".
Paisagem. O relevo é aplanado e a paisagem já é considerada pelo EIA como pouco singular e de reduzido valor estético, devido à extensão dos povoamentos florestais. O impacto mais permanente e irreversível identificado no EIA é justamente este: a alteração da geologia e da geomorfologia locais, que nunca voltarão exatamente à forma original, mesmo depois da recuperação paisagística.
Recuperação paisagística. As áreas já esgotadas (como o Núcleo 2) e algumas zonas intervencionadas estão a ser progressivamente recuperadas — solo reposto, vegetação reconstituída — em vez de esperar apenas pelo fecho final da mina, através do Plano Ambiental e de Recuperação Paisagística (PARP).
Património arqueológico. As prospeções arqueológicas realizadas na área não encontraram valores patrimoniais relevantes, mas o EIA prevê acompanhamento arqueológico durante os trabalhos, como precaução.