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Limitações

O que este mapa não consegue responder, e porquê

A calibração aproxima-se do CNOSSOS, não da realidade

Os 29 valores usados para calibrar e validar o modelo deste site não são medições de ruído feitas no terreno. São a saída do modelo CNOSSOS-EU, calculada pelo próprio EIA, para um parque que ainda não existe. Não há, nem podia haver, uma medição real do ruído deste parque em funcionamento.

Isto significa que a calibração feita aqui aproxima o nosso modelo simplificado do resultado do CNOSSOS-EU, não da realidade acústica futura. Se o CNOSSOS, como método, tiver um erro sistemático nesta zona (por exemplo, subestimar o ruído por não ter em conta terreno complexo ou vegetação), o modelo deste site herda esse mesmo erro, porque foi ajustado para se parecer com ele. Calibrar um modelo contra outro modelo aproxima os dois entre si; não garante que algum dos dois está certo.

O que o CNOSSOS-EU é, e o que não foi pensado para fazer

O CNOSSOS-EU foi desenvolvido para ruído de tráfego rodoviário, ferroviário, aéreo e indústria, e tornado obrigatório em Portugal por transposição de uma diretiva europeia (Decreto-Lei n.º 136-A/2019). Não existe, em Portugal, uma metodologia oficial específica para ruído de parques eólicos. O estudo citado na bibliografia do EIA (Rosão, Leonardo, Santos, 2021) alerta para a necessidade de precauções e ajustamentos na previsão acústica de parques eólicos.

Sinais de que o risco pende para subestimar, não sobrestimar

Como isto deveria ter sido feito

Uma avaliação mais fiável identificaria parques eólicos já em funcionamento, com o mesmo modelo de turbina (Vestas V172) ou semelhante, e com relevo comparável ao desta zona (terreno montanhoso, com vales e encostas). Nesses parques, mede-se o ruído real junto de habitações a distâncias e orientações conhecidas, e compara-se essa medição com o que o modelo de propagação (CNOSSOS-EU ou ISO 9613-2) tinha previsto antes da construção. A diferença entre o previsto e o medido dá um fator de correção real, específico para turbinas e terrenos deste tipo, em vez de se assumir que o modelo genérico, pensado para tráfego e indústria, está certo sem verificação.

É exatamente esse tipo de trabalho que o estudo citado na própria bibliografia do EIA (Rosão, Leonardo, Santos, 2021) realiza, propondo ajustamentos concretos ao método ISO 9613-2 a partir da comparação com dados reais de outros parques eólicos. O EIA cita este estudo como referência, mas não documenta ter aplicado nenhum dos ajustamentos que ele recomenda.

Porque existe

Acreditamos que uma sociedade mais informada participa de forma mais consciente. Por isso, reunimos informação oficial num único espaço, tornando os processos de participação pública mais acessíveis e transparentes.